Rícino é uma pesquisa material voltada à investigação do potencial visual, formal e técnico da resina de óleo de mamona, um polímero biodegradável criado e fabricado no Brasil.
Desde 2018, o estúdio tem desenvolvido uma metodologia própria de análise e processamento do polímero, focada no estudo do seu desempenho, sua formulação e sua aplicação. Com o avanço desta investigação, a composição da resina foi aprimorada, tornando-a mais responsiva, viabilizando abordagens de desenho mais complexas e diversas.
As séries Rícino (2019) e Rícino F (2023) marcam o início da pesquisa ao explorar o entendimento e o domínio do material. A primeira série investiga gradientes de densidade, resultando em peças prismáticas que evidenciam características originais como a coloração âmbar e a transparência. Já na segunda série, a introdução controlada de ar na fórmula gera superfícies leves e flexíveis, semelhantes a membranas, apontando para caminhos mais orgânicos e intuitivos.
A Série Rícino C marca a fase mais recente da pesquisa, na qual elementos orgânicos e minerais — como flores, frutas, raízes, algas, sementes e sedimentos — são incorporados à matriz de resina, dando origem a uma variedade de composições. A adição desses insumos resulta em diferentes texturas, densidades e tonalidades, que são aplicadas em funções específicas.
Em meio a essa pluralidade, o grânulo configura o elemento crucial que conecta as distintas materialidades criadas, sendo a informação intrínseca que define características visuais e técnicas. Sua essência se revela na acumulação, seja ao se dispersar e colorir a mistura, ou ao se sedimentar e conferir dureza e opacidade à matéria.
Nas peças de iluminação, os pigmentos naturais reagem com a resina formando microbolhas que ampliam a difusão de luz e cor. Já nos mobiliários, aditivos como borra de café e o pó de tijolo cerâmico atuam como reforços de compósito, aumentando sua rigidez e dureza sem comprometer sua natureza biodegradável. Cada peça da coleção é concebida como um volume silencioso e preciso, definido por linhas ortogonais e justos encaixes.
A reação da resina modificada exigiu a reavaliação dos processos de projeto e de fabricação. Por meio de extensivos protótipos e testes, o Estúdio refinou tanto as formulações quanto os moldes utilizados, possibilitando uma produção que equilibra a escalabilidade com a manufatura artesanal, estabelecendo fundamentos técnicos para futuras aplicações e para a continuidade da pesquisa.
Com esta nova etapa, o Estúdio Rain reafirma seu compromisso com a pesquisa em inovação material, adotando estratégias de produção circular e ampliando o repertório técnico e estético do uso de biomateriais no campo do design contemporâneo.
Data | 2025 |
Materiais | Poliuretano à base de óleo de mamona com estrutura em alumínio com Clorela / Urucum / Clitória / Cúrcuma / Cacau Poliuretano à base de óleo de mamona com estrutura em alumínio com Café / Carvão / Terra |
Dimensões | Arandela Pequena – C14 L7 A22 cm Arandela Grande – C8 L9 A100 cm Mesa lateral – C32 L32 A50 cm Mesa de centro – C130 L65 A23 cm Vaso – C20 L20 A30 cm |
Edição | Numerada |
Créditos | |
Fotos
| Giu Ramaglia |
Video
| Claraboia Filmes |
Conceito e Design
| Mariana Ramos, Ricardo Innecco |
Desenvolvimento
| Julia Park, Edson Queiroz |
Contribuições
| Maria Clara Freitas, Soufiane Bregeon, Márcio Rocha |